Paixão Segundo C.L.

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Olá leitores, tudo bom? Venho aqui , antes de mais nada, mandar um enorme beijo e abraço para todas as leitoras da Estante! E sim, o respeito não deve vir só no dia da mulher, não adianta dar uma flor hoje e bater amanhã. Vamos continuar lutando pelo respeito e igualdade de gêneros! Discurso político-ideológico a parte, pedi para postar hoje no dia da mulher sobre uma das maiores autoras brasileiras: Clarice Lispector!

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Não vamos entrar no aspecto orkutização da Clarice, meu foco aqui é contar a história dela e falar porque ela foi tão importante para a literatura brasileira.

Clarice nasceu na Ucrânia, e seu nome verdadeiro é Chaya Pinkshasovna Lispector, e veio com a família para Maceió quando tinha pouco mais de um ano – por isso ela afirmava não ter nenhum vinculo com a Ucrânia, afinal lá ela só foi carregada no colo, e sim o Brasil, principalmente Pernambuco, onde foi morar com a família em Recife.

Passou a infância em Recife, e estudou francês, inglês e manteve o idioma materno, iídiche. E começou a escrever logo que começou a ler. A jovem perdeu a mãe aos nove anos de idade, e muitos textos mostram como a escritora se sentia em relação a isso – um misto de culpa com esperança.

Já adolescente foi para o Rio de Janeiro com a família, e entrou na faculdade de Direito. Frustrada com tantas teorias, ela começou a fugir para a literatura, lançando com 19 anos seu primeiro conto publicado “Triunfo”, na Revista Pan. Com a morte do pai, ela se afasta da religião judaica e começa a chamar atenção pelos seus contos publicados. Em dezembro de 1943 publica seu primeiro livro, “Perto do Coração Selvagem”.

clarice-lispector

Se formou em direito e se casou com Maury Gurgel, colega de classe, que virou diplomata. Na primeira viagem eles foram para a Itália, e Clarice serviu na Segunda Guerra Mundial como assistente de enfermagem da FEB. E ainda passou pela Inglaterra, EUA e Suiça – onde nasceu seu primeiro filho, Pedro. Quando criança Pedro aprendia com facilidade, mas na adolescência perceberam agitação e falta de atenção, diagnosticadas como esquizofrenia. Clarice se sentiu culpada e teve muitas dificuldades para lidar com essa situação. Já nos EUA nasce Paulo, o segundo filho do casal.

Ela se separa do marido e começa a assinar uma coluna no Correio da Manhã, usando o pseudônimo Helen Palmer, e trabalha um tempo como ghost-writer da atriz Ilka Soares. Em 1960 publica “Laços de Família” (com o famoso conto “Feliz Aniversário) e em1964 lança  “A Paixão Segundo G.H.”, um dos livros mais questionadores e existencialistas da autora (sim, é esse que tem a cena da barata).

Clarice-Lispector-divulgação

Em 1966 provoca um incêndio em seu apartamento, pois dormiu com o cigarro aceso, e correu risco de morte. Depois desse incidente, Clarice teve problemas para datilografar com a mão direita. Em 1974 lança o livro de contos “A Via Crucis do Corpo”e é muito criticada pela sexualidade no livro, e em 1977 publica “A Hora da Estrela”, sua última obra. Clarice faleceu em 1977, devido um câncer inoperável no ovário. Até a manha de seu falecimento ela ditava frases para sua amiga, Olga Borelli. Na lista de amizades estão também Fernando Sabino, Samuel Wainer e Rubem Braga.

Escritora apresentada, vamos falar sobre sua importância. Para a literatura, Clarice foi uma das primeiras grandes escritoras brasileiras – foi considerada pelo New York Times em 2005 o Kafka da literatura latino-americana. A literatura (e em geral todas as artes) sempre foram dominadas majoritariamente por homens, e Clarice foi alguém que rompeu com isso, de maneira forte.

A literatura lispectoriana trouxe questionamentos existenciais, um estilo solto, fragmentário, introspectivo e elíptico. Clarice mostrou que mulheres questionam, tem desejos, tem vontade de sexo, e tem voz própria. Foi uma mulher forte, e continuou fazendo o que amava até sua morte. Clarice questionou a literatura tradicional brasileira, e os costumes conservadores.

Recomendo que leiam de cabeça aberta. Talvez não gostem de primeira – talvez não gostem nunca. Talvez não entendam. Talvez faça todo o sentido do mundo. Esse é o poder de Clarice (apelidada “bruxa da literatura brasileira”), e todos devem conhecê-lo um dia.

Novamente, um beijo para todas as mulheres e leitorxs da Estante!

assinatura cami

(ficaram em dúvida com o ‘x’que usei? Acompanhem a #SemanaDaMulher no Sétima Avenida, vou explicar tudo isso!)

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